Por que as empresas devem olhar para a periferia ao preencher vagas em TI

Qual é a primeira coisa que vem na sua cabeça quando você ouve a palavra “periferia”? Dificilmente você visualizou jovens disputando vagas em TI ou conquistando espaços altamente competitivos do mercado, não é mesmo?

O que não falta na periferia são talentos, especialmente aqueles que ainda não foram descobertos. Se aqui cabe uma analogia, é como se a periferia fosse um diamante bruto. Tem potencial, mas em alguns casos falta lapidar.

E quando falamos em tecnologia, a falta de incentivo e acesso são os principais fatores que distanciam o jovem da quebrada do mercado de trabalho em TI. E se não existe acesso, dificilmente o trabalhador periférico chega devidamente capacitado ao mercado de trabalho ou em cargos de liderança.

Faltam profissionais qualificados para preencher vagas em TI

Apesar de dificilmente ser abalado por crises, o mercado de TI vive uma realidade particular: ao mesmo tempo que existe um déficit de profissionais capacitados, sobram vagas no setor.

Dados da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) apontam que neste ano as vagas em TI aumentaram 1,2% mesmo durante a pandemia (cerca de 14 mil postos de trabalho).

É que todos os segmentos do mercado precisam do profissional de tecnologia da informação para desenvolver e otimizar sistemas operacionais e diversas ferramentas como sites, aplicativos, etc.

Some isso ao uso cada vez maior de novas tecnologias, especialmente a mobile que cresceu ainda mais durante a pandemia do novo coronavírus.

Mesmo dependendo cada vez mais desse profissional, muitas vagas de TI continuam incompletas. 

Ainda de acordo com a instituição, o déficit desses profissionais pode chegar a 70 mil a cada ano. 

O estado brasileiro que mais precisa de mão de obra de tecnologia da informação é São Paulo que, sozinho, é responsável por 42,9% da demanda.

Mais do mesmo em cargos de TI

Falta diversidade no mercado de TI: área é majoritariamente composta por homens brancos vindos da classe média/alta. Foto: Pixabay

Já que os profissionais qualificados não são encontrados em vagas tradicionais de TI, por que não olhar para outros locais fora dos grandes centros comerciais? 

Mesmo com tantas vagas disponíveis ainda falta diversidade na composição das empresas, especialmente na área de tecnologia.

Geralmente, os profissionais são sempre os mesmos: homens brancos vindos da classe média/alta.Para mudar essa situação uma série de atitudes devem ser tomadas, alterando desde a base da pirâmide – através da educação – até o topo, colocando pessoas de diferentes realidades para tomar decisões. 

O que as empresas podem aprender ao contratar profissionais da periferia para vagas de TI

Contar com a diversidade no âmbito empresarial é a porta de entrada para começar a mudar o mercado, mesmo que aos poucos.

Mas não basta apenas ter uma única pessoa na equipe que venha de uma realidade social diferente da maioria.

É preciso que esse profissional esteja presente em diversas frentes, inclusive em cargos de liderança.

É como se pessoas de uma mesma realidade social sempre se relacionassem com quem tem o mesmo background, o que reflete nos mais diversos pontos da nossa sociedade. 

Por exemplo: quem estudou a vida inteira em escolas particulares tem mais chances de ingressar em uma universidade de renome do que o jovem periférico. 

E quem estudou em uma grande universidade tem mais chances de entrar no mercado de trabalho e ocupar bons cargos. 

Mas isso não significa que pessoas em situações de vulnerabilidade social ou que vivem na periferia não tenham o que oferecer. 

Aqui estão algumas vantagens de ter alguém da periferia (ou simplesmente de uma realidade social diferente) em sua equipe: 

  • Conexões transformadoras

Iniciativas surgidas na periferia e desenvolvidas por pessoas de vulnerabilidade social tendem a pensar no coletivo, não apenas no lucro de uma pessoa só.

  • Soluções criativas

Quem é da periferia aprende desde cedo a resolver problemas independentemente do tamanho da dificuldade.

É por isso que a resiliência é uma qualidade forte de quem enfrenta dificuldades econômicas. E nada melhor do que ter alguém com essa mentalidade na equipe!

  • Empatia

Saber se colocar no lugar do outro é algo que faz parte do cotidiano da quebrada.

Aqueles que conseguem ascender socialmente não deixam a periferia para trás, pelo contrário, fazem questão de impulsionar cada vez mais pessoas da mesma realidade a superarem as barreiras que os separam do sucesso.

Iniciativas que apoiam a periferia