Como reduzir o viés de processos seletivos na TI

Um dos maiores desafios para a área de Recursos Humanos atualmente é encontrar estratégias para reduzir o viés de processos seletivos. Para quem trabalha com tecnologia o desafio é ainda maior pois trata-se de um mercado tradicionalmente formado por homens brancos vindos da classe média. 

Sem neutralizar o viés de processos seletivos, valorizar a diversidade e a inclusão acaba sendo praticamente impossível. Nesse caso, o trabalho é dobrado: além de identificar quais são as perspectivas que podem colocar o recrutamento em risco, é preciso corrigir a fonte do problema, isto é, descobrir de que maneira é possível ajudar o recrutador a evitar esse comportamento. 

Até mesmo recrutadores experientes podem deixar decisões racionais de lado e priorizar candidatos com base em suas próprias crenças pessoais, o que nem sempre é uma escolha consciente, como você verá a seguir.

Viés de processos seletivos: o que é 

O viés inconsciente é o fator que mais preocupa o departamento de RH justamente por ser algo que foge do controle do recrutador. 

É necessário ressaltar que o recrutador é um ser humano com sua própria visão de mundo e crenças pessoais assim como qualquer outra pessoa. No entanto, esse profissional tem poder de aceitar ou barrar candidatos durante o processo seletivo, e se isso for feito levando em consideração preconceitos ou aspectos particulares da sua vida pessoal então temos um problema. 

O viés de processos seletivos funciona da seguinte maneira: durante a entrevista, o recrutador tira conclusões precipitadas sobre o candidato levando em consideração características que nada têm a ver com o lado profissional. 

O preconceito é o principal motor do viés inconsciente, sendo que suas origens podem ser: 

– Preconceito de gênero 

– Preconceito racial 

– Orientação sexual 

– Deficiência 

– Religião 

– Características físicas, entre outros.

Usar qualquer um desses fatores para pautar o recrutamento ou até mesmo para decidir qual candidato será escolhido ou não é um grande problema para a empresa, especialmente se seu objetivo for a inclusão. 

Outros aspectos presentes no viés de processos seletivos são idade, estado civil, quantidade de filhos, qualificações profissionais, tempo de carreira, experiência no exterior, idiomas falados, entre outros. 

O mercado de TI e a diversidade 

Se para a mulher branca já é difícil conseguir uma vaga no mercado de TI, para a mulher negra essa tarefa é muito mais complexa: 32% das equipes de tecnologia brasileiras não possuem nenhuma pessoa negra no time. Foto: Unsplash

Com tantas ferramentas para auxiliar o RH durante o recrutamento fica até difícil falar de viés em processos seletivos, mas esse fator ultrapassado ainda é uma realidade para a área de TI. 

Não é exagero afirmar que o mercado de tecnologia é praticamente dominado por homens brancos com o mesmo background social: apenas 20% de todos os profissionais de TI no Brasil são mulheres, e em 21% das equipes de tecnologia elas simplesmente não existem*. 

A situação é ainda mais preocupante quando adicionamos a realidade racial nessa conta: mais de 32% das equipes de tecnologia brasileira não possui um negro sequer no time**. 

E mesmo quando as minorias chegam lá ainda têm de lidar com preconceitos dentro da própria organização, tendo que provar sua capacidade constantemente. 

Pequenas ações (por mais inconscientes que sejam) como o viés em processos seletivos têm a capacidade de afetar toda a estrutura que movimenta a TI, e é dever das organizações proporcionar ambientes plurais para contribuir cada vez mais com a diversidade. 

* Dados da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia e Comunicação (Brasscom).

** Dados da pesquisa Quem Coda o Brasil? realizada pela PretaLab em parceria com ThoughtWorks.

Como anular a influência do viés inconsciente em processos seletivos de TI 

Desenvolver uma política de diversidade interna é uma ótima estratégia para fomentar a diversidade e a inclusão na empresa. Foto: Unsplash

Recrutadores pautados na diversidade 

Uma das formas mais eficientes de evitar que o viés de processos seletivos ganhe força na empresa é optar por recrutadores pautados na diversidade. 

Um recrutador homem, branco, formado em uma grande universidade, com cursos no exterior e uma vida de privilégios nunca vai compreender o que uma mulher negra e periférica teve de enfrentar para chegar até ali. 

Isso não significa que é proibido contratar profissionais de TI homens! Mas para atrair e selecionar candidatos realmente diversos é preciso mudar o mindset da empresa, incluindo sua própria cultura organizacional. 

Recrutamento às cegas 

Outra estratégia que está ganhando força no RH das empresas para evitar o viés de processos seletivos é o recrutamento às cegas. 

Ao invés de ter acesso a informações pessoais do candidato como suas redes sociais, o recrutador sabe apenas o primeiro nome do profissional e conduz a entrevista apenas por áudio, sem de fato ver com quem está conversando. 

O recrutamento às cegas não garante 100% que o viés de processos seletivos será deixado para trás, mas essa é uma consequência real desse método já que o foco é conhecer a essência da pessoa e descobrir seu verdadeiro potencial sem deixar que preconceitos falem mais alto durante o recrutamento. 

Por exemplo: nem sempre o candidato que estudou na melhor universidade do país tem habilidade para trabalhar em equipe ou apresentar resultados eficientes de acordo com a expectativa da empresa. 

Deixar um profissional de TI em escanteio só porque ele fez um curso técnico ou aprendeu a programar sozinho na internet é um viés que está muito presente em recrutamentos da área. 

Outro fator de “corte” é levar em consideração se o candidato é fluente ou não em inglês. O inglês é um diferencial em muitas áreas, e na TI é importante porque muitos manuais, códigos e processos são escritos nessa língua. 

No entanto, deixar de escolher um candidato só porque ele ou ela não fala inglês é um erro e um sinal nítido de viés inconsciente já que essa é uma habilidade passível de aprendizado, algo bem mais fácil de ensinar do que ser sociável ou ter empatia com os colegas de equipe, por exemplo. 

Política de diversidade interna 

Para ter mais efetividade na contratação de profissionais diversos outra estratégia para evitar viés de processos seletivos é desenvolver uma política de diversidade interna com vagas reservadas para minorias, por exemplo. 

Será praticamente impossível alterar a realidade atual do mercado de TI sem fomentar a mudança dentro das próprias instituições. 

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